Categoria: Pessoal

  • O que o futebol me ensinou sobre as emoções

    Desde criancinha assisto futebol, e desde criancinha sou palmeirense. Eu me lembro de ficar aos domingos em frente à televisão para ver o Palmeiras jogar. E essa memória até pareceria uma invenção, caso eu não tivesse vivido essa paixão na pele e na alma.

    Até aqui, normal ser apaixonada por futebol, pois moro num país e vivo sua cultura, como qualquer pessoa. Mas, com o tempo, fui levando essa história tão a sério que, como toda paixão extrema, virei uma fanática!

    Pessoas amigas que conviveram comigo nesta época, que durou bastante tempo, sabiam que não podia passar em frente à TV para não ouvir gritos, e quando o Palmeiras perdia já sabiam que eu ficava mal-humorada por um período.

    Por ser uma das poucas mulheres que assistia futebol, eu tinha um grupo com meninos palmeirenses e íamos pro bar ver os jogos, comemorar ou lamentar, quando perdíamos. Foram momentos bons e, ao mesmo tempo, tensos que vivi.

    Quando cheguei ao ponto de brigar com um colega da época até quase pular nele de tanta raiva durante um jogo, percebi que minha relação com o futebol não estava me fazendo bem.

    Mas daí foram anos até me curar desse vício e escape. Não vou entrar em detalhes mais aprofundados a nível social e psicológico sobre o papel do futebol na sociedade. Para isso, deixo duas dicas para quem quiser saber mais: o livro de Eduardo Galeano, chamado “Futebol ao sol e à sombra”, que me auxiliou a descortinar os bastidores do mundo futebolístico, e o site Observatório social do futebol, que traz dados importantes sobre futebol e sociedade.

    A verdade é que o futebol, para quem se identifica com o esporte, traz à tona nossas emoções com altos níveis de intensidade, e isso pode ser perigoso quando você não tem autorregulação emocional. Não é à toa que muitas mortes já ocorreram neste país durante jogos, principalmente clássicos como Palmeiras e Corinthians.

    Como eu vivia minhas emoções de modo mais ou menos inconsciente, precisei passar um bom tempo afastada do vício até retornar a ele. Lembro que foi em Curitiba que soube, através do meu cunhado, também palmeirense, que o Palmeiras estava na final da Libertadores, em 2021, se não me engano.

    De lá pra cá, retomei minha relação com o futebol de um outro lugar. Aliás, é importante registrar que, antes disso tudo, me casei com um corinthiano, que hoje está muito feliz por ter ganhado o campeonato paulista de 2025 em cima do seu maior rival, quebrando uma sequência de três anos de vitórias e viradas do Verdão.

    E eu me vejo madura ao reconhecer que o Corinthians mereceu, sim, ganhar. E tá tudo bem, a vida continua. Afinal, se não existisse o Corinthians, meu Palmeiras seria menos Palmeiras, pois é nesse tipo de situação que reconheço a Lei das Polaridades, onde os opostos são da mesma natureza.

    Resumindo, o futebol, assim como qualquer esporte, pode nos ajudar a reconhecer, mensurar e regular as nossas emoções, de modo a tornar essa relação saudável e prazerosa. Mas isso só pode ser feito quando trazemos o autorreconhecimento para compreender essa relação com mais clareza.

    E você, me conta, gosta de futebol? Tem alguma história pra compartilhar sobre seu time do coração e suas emoções? Eu adoraria saber.

  • Língua-manifesto

    A língua portuguesa abrasileirada é vida abundante que se multiplicou por este país continental.

    E, como vida precisa de espaço, faz-se crias em cada canto. É oxente misturado com bah, uai que desencanta num vish pra todo mundo se manifestar com emoção!

    A língua não cabe nos dicionários, tampouco os estudiosos conseguem depreendê-la.

    Ela é plural, protagonista de vidas invisíveis que insistem em sobreviver, mesmo sem saber falar a língua do patrão. É a voz que grita em nossos pensamentos buscando compreensão e sentido de viver.

    Deixem a língua em paz! Ela quer simplesmente ser vida, ser vista e servir para manifestar palavras de ordem na ordem do dia do sistema insensível que a impôs neste mundo-periferia da galáxia.

    Que a língua saia debaixo das saias longas e seculares das senhoras normas cultas e dos políticos engravatados ditadores de leis para correr livre pela boca do povo, na boca desdentada ou dengosa de todo ser que diz sim pro Amor.

    Que a língua do Amor se manifeste livremente transferindo pensamentos possíveis para palavras prováveis de pureza e prazer num simples bom dia ao ver o outro.

    Que a língua se torne o seu sucesso constante, simplesmente por ser uma parte da sua identidade múltipla.

    Que a língua seja dobrada toda vez que dela ousar sair um ai de violação das leis cósmicas de Amor ao próximo.

    Deixem a língua se tornar nossa para que se possa usar palavras encantadas para cantar a canção da liberdade plurilinguística.

    Pessoas queridas, entreguem suas línguas ao bel prazer das pequenezas cotidianas para emergirem cada vez mais Manoéis de Barros, DKGs, Drummonds de Andrades, Anas Cristinas Césares, Elisas Lucindas e Tonons, Adélias Prados, Déboras Gonçalves, Cristianes Estevãos, Hildas Hilsts, Nicolas Gonzagas, Conceições Evaristos, Renans Inquéritos, Negros Rudhys, Sérgios Vaz e mais um tanto de gente que não cabe aqui ou sequer conheço, mais sei que são ótimas lapidadoras de palavras-língua em formatos poéticos e poêmicos para registrar a voz da língua-Amor.

    Que a língua musa do museu da língua portuguesa tome as ruas, as casas, escolas, empresas, universidades e onde mais houver alguém querendo se expressar na eterna amorosidade de ser.

    Viva a língua portuguesa abrasileirada, a sua, a minha e a nossa!

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  • Como (e porque) mudei minha alimentação em um ano?

    Às vésperas do meu aniversário, resolvi materializar através das palavras uma das mudanças mais radicais que realizei nesta vida. E olha que por essa nem eu esperava! Em cerca de um ano, fui do ovolactovegetarianismo para uma filosofia vegana e antiespecista, que vai muito além da alimentação.

    Pra começar essa história, gostaria de dizer que já fui muito preconceituosa com pessoas vegetarianas e veganas. Por quê? Ora, porque sou uma mulher da minha época e do meu tempo, e assim sendo, atualmente tudo o que se faz é comer carne e consumir derivados de origem animal, não é mesmo? O mundo tornou-se onívoro (ou carnívoro) já tem até alguns séculos, e hoje em dia é muito mais prático pensar no alimento com os ingredientes de origem animal, ir ao mercado comprar um frango ou bife e garantir o almoço do dia.

    Na minha infância, houve um período em que “carne” era artigo de luxo em nossa casa. Com o tempo, creio que construí uma ideia – que também paira subliminarmente na sociedade – de que carne é sinônimo de fartura (vide a história da “picanha” nas últimas eleições). Aqui, todavia, há um parêntesis importante a ser feito: num país que figura no Mapa da Fome, infelizmente, a declaração anterior pode, sim, ser verdadeira. Sei que ainda é uma questão de privilégio pensar na alimentação num país com níveis altíssimos de insegurança alimentar. E compreendo e concordo plenamente com o conceito de nutricídio e seus estudos atuais.

    Mas voltando à minha história, quando comecei a estudar na UFSC conheci inúmeras pessoas vegetarianes e veganes. Até morei com colegas vegetarianas e comecei a desconstruir aquele pré-conceito que tinha. Inclusive, nos últimos quatro ou cinco anos o meu irmão aderiu à dieta. Todavia, da graduação até o doutorado eu vivia praticamente de bolsa, logo, era moldada pelo RU – Restaurante Universitário. E como eu não tinha a mínima consciência sobre minha alimentação, jamais imaginava seguir por esse caminho.

    Eis que em 2019, na minha primeira iniciação do reiki resolvi me propor um desafio: ficar os 21 dias de autolimpeza – característica obrigatória dessa terapia – sem ingerir carne (não obrigatório no processo). Foi muito desafiador mesmo! Mas sobrevivi, ampliei meu olhar sobre os temas e comecei a compreender esse universo alimentício que, pra mim, na minha ignorância daquele momento, era totalmente “sem noção”. Claro que naquele período consumia produtos derivados de animais, como ovos e queijos – que sempre fui apaixonada e não sabia o porquê, até descobrir que esse último contém um componente viciante.

    A partir de então, eu já estava pensando em reduzir o consumo de carnes, e creio ter sido em 2020 quando fiz minha primeira exclusão: o coração de galinha, tão comum nos churrascos da vida! Eu era simplesmente “louca” por essa iguaria, porém, um dia, na pandemia, estávamos eu e Alexandre (meu esposo) comendo e senti um deslocamento no tempo-espaço ao ver tantos corações no prato. Creio ter sido levada a um momento ritualístico macabro naquele instante – e isso não é ficção. Decidi, então, parar de comer. Detalhe: naquela altura, jamais imaginava que me tornaria vegetariana!

    Atualmente, devemos agradecer ao universo da internet por tantas maravilhas, dentre elas, encontrar pessoas dispostas a compartilhar conhecimento e informação de qualidade! Era meados de setembro do ano passado, quando resolvi participar de um desafio vegano da ONG Vegan Outreach: por 10 semanas, recebi material informativo e firmei o compromisso de ir reduzindo a carne no meu dia a dia. Em outubro, perto do meu aniversário, já havia reduzido cerca de 90% das carnes, mas ainda consumia outros derivados de origem animal.

    Acontece que como sou uma pessoa que ama estudar, fui estudar um pouco mais sobre as diferentes dietas alimentares. E o que aprendi não foi pouco! Aliás, mudou a minha vida, como estou contando agora. Compreendi o que era a dieta do ovolactovegetarianismo e cheguei ao veganismo que, como mencionei, não é apenas uma dieta alimentar, mas sim uma filosofia de vida. Contudo, há outros fatores importantes nesta jornada: 1) meu processo de autoconhecimento e espiritualidade; e 2) apoio e parceria do Alexandre.

    Costumo dizer que a coerência não deve ser priorizada apenas nos estudos da linguagem, quando traz sentido e harmonia ao todo daquilo que se fala ou se escreve, mas conforme nos dizia Paulo Freire, “É fundamental diminuir a distância entre o que se diz e o que se faz, de tal maneira que num dado momento a tua fala seja a tua prática”. Assim, venho aprendendo pelo fator 1 que o Amor é a base de tudo; e o Amor inclui, não mata, não devora, não explora.

    É claro que o caminho do veganismo é árduo, pois é uma mudança gigantesca de paradigma. É óbvio também que não é fácil, mas dentre as inúmeras causas cientificamente comprovadas (causa ambiental, causa animal, saúde física) para pararmos de consumir ou reduzirmos produtos de origem animal, o que permeia essas relações é uma ética baseada neste Amor. Preciso dizer também que os aprendizados com os mentores da Casa do Consolador e o trabalho do Rancho dos Gnomos foram e são cruciais para essa transformação em minha vida.

    Além disso, eu devo ter muitos créditos cármicos, pois o Alexandre (fator 2) também aderiu ao veganismo. Inclusive, ele foi a pessoa que me impulsionou nessa virada de chave. E hoje, nós dois estamos, desde março, aprendendo juntos tantas coisas: desde receitas culinárias até aquela pesquisa para saber se a empresa do creme dental faz teste em animais.

    Confesso que tem sido uma jornada prazerosa, apesar de praticarmos o veganismo sempre na medida das nossas possibilidades. E ainda, desconstruindo a ideia de que veganismo é apenas para quem tem dinheiro. Sobre esse tema, indico o trabalho fantástico dos irmãos Leonardo e Eduardo do Vegano Periférico.

    Devo frisar, também, que este movimento é plural, ou seja, a depender do lugar de fala pode haver, como em tudo na vida, certas contradições. Mas, dentre os inúmeros aprendizados que essa mudança alimentar e visão de mundo me trouxe, o principal deles é que somos seres de hábitos, e hábitos podem ser incluídos ou excluídos, a depender da nossa vontade. E vontade, para mim, tem que envolver algo que tenha um sentido maior. No meu caso, a ética do bem através do amor inclusivo e a busca pela coerência entre teoria e prática, pois já que sempre fui contra todas as formas de opressão, como manter a ideologia do especismo antropocêntrico acima de tudo?

    Pra finalizar, te convido a refletir e, quem sabe, optar por reduzir o consumo de carne aderindo à campanha “Segunda sem carne“. O que te custa é muito pouco, se comparado aos benefícios para a tua saúde, a saúde do planeta e a vida dos animais. Experimente e me conta! Caso tenha se interessado pelo tema, também posso indicar documentários e materiais de pesquisa. Gratidão por me ler!

  • Uma árvore falou comigo hoje

    Somos tão acostumados a viver no mundo racional, moldados por séculos de intelectualismo mental que esquecemos do nosso ser natureza; nos iludimos na separação e sufocamos o coração que, embora agonizante, ainda vibra na esperança.
    Essa árvore que falou comigo, nem sei o seu nome, pois minha ignorância botânica me deixa envergonhada, só que ela não se importa com isso, o que ela quer é me dizer algo, e. pra isso, eu preciso ouvir com o sossego da espera, como ela traz ali onde se encontra há anos.
    Ela me diz para que olhe e veja os seus galhos secos, ainda em maioria, em meio a flores amarelas sorridentes. Diz que a vida acontece nesse espaço entre o inverno morrendo para a primavera nascer. E que há um período em que tudo se confunde, e tá tudo bem, já que é da nossa natureza sermos misturas entre as polaridades e suas nuances.
    Ela disse que isso tudo não é nenhuma novidade, mas como estamos ligados no modo automático, esquecemos dos aprendizados essenciais. E quando os reencontramos parece que estamos partilhando um segredo que, na verdade, tá falando o tempo todo com a gente. Contudo, para ouvir, quem para?

    Ela disse que é até muito divertido ver o quanto vibramos ao reaprender os mistérios esquecidos, que essa nossa inocência é admirada por todos os reinos e em todos os lugares.

    Ela me diz, ainda, que as flores estão mostrando a beleza do que virá, e os galhos secos estão ali para lembrar que é preciso ter uma estrutura, pois, mesmo que não seja bela, está ancorando o doce amarelo que florirá lentamente. Diz que o inverno foi tão necessário quanto a primavera será, assim, deve ser honrado.

    Ela quer me dizer muito mais coisas, mas estou um pouco agitada, já que a caminhada matinal precisa ser finalizada.
    Agradeço os seus conselhos e sigo adiante com o sol escaldante. E como sigo feliz, nem me importo com o que o povo diz sobre uma mulher que para diante de uma árvore e fica extasiada por alguns minutos de um dia útil em horário comercial.

    Eu ganhei o meu dia, e percebo que nossos irmãos indígenas é que sabem das coisas! Nosso futuro é ancestral e está embalado num amor universal que junta os reinos numa eterna ciranda de alegrias fulgurantes e simples, como uma árvore de flores amarelas a falar comigo no meio do caminho: ipê.

  • Outubro e as relações com o Outro

    Eu e Alexandre pós-almoço de aniversário, 2022.

    Celebrar a vida, creio eu, é um dos pontos em comum que existe em qualquer cultura. E ter a oportunidade de viver é um grande presente a todo ser. Comemorar mais uma primavera é algo que sempre me inspira e faz emanar amor por todos os meus poros, em todos os níveis.

    Pra mim, comemorar o aniversário sempre foi sinônimo de coletividade, de juntar as pessoas que amo e degustar o prazer em todas as suas variáveis. É claro que, nem sempre dá pra reunir todo mundo, e, por muito tempo até, eu ficava bastante chateada quando algumas pessoas não compareciam ou enviavam suas felicitações – só que aprendi que as interpretações de mundo são sempre o “nosso túnel de realidade”, logo, há no mínimo dois túneis envolvidos neste assunto: o meu, que quer a pessoa por perto e valoriza a data; e o da outra pessoa, que talvez não veja isso como algo tão importante – e tá tudo certo, afinal de contas, “toda verdade é uma meia verdade”.

    Por outro lado, sempre foi muito gostoso perceber o quanto várias pessoas, especialmente neste dia, me trazem suas melhores vibrações – e não necessariamente em presença física -, e tornam o meu dia uma potência gigantesca de amor fraterno!

    Então, entra em ação a tal da gratidão, por ter a sorte de conhecer tanta gente maravilhosa e manter a reciprocidade do amor amigo enquanto chama flamejante. Amizades que, independentemente do tempo e do espaço, se fortalecem ainda mais em momentos assim. Amizades que me fazem lembrar o quanto a vida além do mundo virtual ainda é a principal forma de viver. Amizades que me ensinam “a beleza de ser uma eterna aprendiz”.

    Acredito que intuitivamente eu sempre soube que o caminho da transformação é o Amor, em todas as suas manifestações. E é através das amizades, principalmente, que descobri que as diferenças são dádivas a serem agradecidas. Tenho tantas amizades de diferentes seres que, muitas vezes, me pergunto o quanto eu sou a normalzinha do rolê.

    Além disso, a beleza entrelaçada nestes diversos modos de se relacionar me faz ver o quanto tudo vai se encaixando: é uma flor que chega para enfeitar a mesa, uns salgadinhos recebidos aleatoriamente no ônibus, uma videochamada com a família que me faz gargalhar de felicidade; e tudo isso vai pintando um quadro de risos e alegrias distribuidas ao longo de horas despretensiosas, onde podemos ser nós mesmos diante da cumplicidade de sermos amados e aceitos, desconstruída ou reconstruída enquanto uma nova mulher.

    É só por isso, e por tudo isso, que gosto de dizer que amo celebrar meus aniversários, pois o amor está nas relações que tenho e que me constroem, e me tornam cada dia mais uma pessoa mais agradável de se conviver.

    Gratidão, vida, pelos trinta e oito anos de busca do Amor! Creio que estou indo pelo caminho certo…

  • Precisamos falar sobre espiritualidade

    Provavelmente, você já ouviu falar sobre a inteligência emocional, mas sobre a inteligência espiritual, conhece algo? O próprio termo “espiritualidade” não desperta muito interesse na maioria das pessoas, ainda.  Isso ocorre pelo fato de associarmos a espiritualidade apenas a uma prática religiosa.

    Inevitavelmente, mais cedo ou mais tarde todos teremos que lidar com nossa espiritualidade, independentemente de religião. E aqui fala uma ex-cética que chegou ao ponto de pensar que nada existia além da matéria. Mas que bom que sempre podemos mudar de opinião e, principalmente, aprender através de estudos e leituras, se assim quisermos.

    A espiritualidade é algo inato em nós, e há séculos diversos estudiosos  falam a seu respeito. Alguns, de forma cética e puramente racional; outros, um pouco mais abertos ao interdimensional e para além do físico. Ela traz em nós um poder oculto que ignoramos porque estamos em modo inconsciente de vida, mas quando começamos a trazê-la para a luz de nossa consciência percebemos o quanto somos seres mediúnicos e interdimensionais.

    A forma como nós, ocidentais, lidamos com a espiritualidade implica na visão de mundo que temos a partir de um paradigma. Este que vai se formando a partir do conjunto de crenças a respeito do que se vive, do que se cogita ser a vida, e que nos guia o tempo todo em todas as decisões e atitudes que tomamos.

    Você já se perguntou “de onde veio, para onde vai e o que está fazendo aqui”? Essas perguntas são cruciais para que possamos compreender nossa passagem pela escola da vida. Nesse sentido, a espiritualidade está diretamente relacionada com a existência. Por isso, o autoconhecimento e o estudo sobre como funciona o Universo e as leis que o regem são a base para nossa jornada de aprendizados. 

    Estudos apontam que as pessoas que desenvolvem sua espiritualidade lidam melhor com as adversidades em todos os âmbitos (veja a notícia aqui). Aos poucos, e através do autoconhecimento vamos lidando melhor com nossos pensamentos, emoções e isso refletirá em nossa qualidade de vida. Com o tempo, aprendemos a elevar nossa frequência vibracional e nos tornamos mais amorosos.

    Se você já cuida da sua espiritualidade através de práticas religiosas, continue se expandindo e não deixe se limitar por questões dogmáticas. Se pretende estudar de forma autônoma, dentre as experiências que tive recomendo as aulas e livros do professor Hélio Couto; os conteúdos e cursos maravilhosos da Círculo Escola Filosófica e da Quantum Academy; o estudo dos arquétipos com o canal Artétipos; as leis herméticas, com a May Andrade; e como bônus para ajudar nesta jornada, indico fortemente que se torne reikiano, porque, não por acaso, o primeiro nível do reiki se chama “O despertar”.

    Uma bela jornada para nós! 

     

     

  • A história do curso TCC com Emoção

    1- Como surgiu o curso TCC com Emoção?

    Desde o ano de 2020, sentia o desejo de criar um projeto que ajudasse as pessoas em seus processos de escrita, pois vi muita gente adoecer durante essa fase da vida acadêmica. O curso TCC é resultado do combo de minhas experiências enquanto estudante, revisora de textos, professora e terapeuta holística.

    Como estudante, tive doze anos desafiadores para me tornar pesquisadora entre graduação e pós. A verdade é que ninguém nos ensina a estudar! E aprendi a duras penas que é preciso ter uma metodologia e um planejamento de estudos para que sejamos, de fato, produtivos. 

    Como revisora de textos desde 2008, diversas pessoas queriam que eu desse um serviço a mais do que apenas a revisão textual estrutural: elas queriam a minha opinião sobre o texto, pois esse é um dos maiores problemas que a pessoa pesquisadora enfrenta. Ela se sente solitária na escrita e carece de um feedback que, às vezes, nem o próprio orientador lhe dá. 

    Enquanto professora de português, sempre gostei de dar uns pitacos nos processos de aprendizagem, é claro, o que me fez agregar a consultoria, já que mesmo que eu não entenda do conteúdo que a pessoa estuda, posso trazer um olhar mais amplo e dialogar com o texto do autor, se for o caso. 

    Já como terapeuta, percebi que poderia aliar a minha experiência técnica específica da área de Letras ao caráter holístico das terapias com as quais trabalho, pois elas consideram a pessoa em seu todo: físico, emocional, mental e espiritual. Além disso, colocar a inteligência emocional como fio condutor de toda essa fase ajuda a pessoa a se conhecer melhor, podendo auxiliá-la não apenas nesta, mas em todas as áreas de sua vida.

    Um trabalho acadêmico não é apenas uma sequência de protocolos técnicos a serem seguidos. Existe um ser complexo e completo ali, e com ele outras pessoas que se inter-relacionam durante toda essa jornada. É nessa fase que surgem os medos, os traumas, as ansiedades e até mesmo a depressão, que podem afetar não apenas a conclusão de um curso, mas toda a vida da pessoa.

     

    2- Qual é o objetivo do curso TCC com Emoção?

    Esse curso pretende ajudar as pessoas que estão em fase de escrita de TCC – Trabalho de Conclusão de Curso, dissertação ou tese. Muitas vezes, o processo de pesquisa e escrita é muito solitário, o que acaba afetando as emoções e o lado mental da pessoa. As aulas do curso são bate-papos expositivos com função dialógica, pois certamente irão despertar na pessoa momentos de empatia e reflexão, propiciando a autoescuta e auto-observação sobre seus estudos e, principalmente, suas emoções. Além da parte de consultoria terapêutica, há aulas técnicas específicas sobre a escrita acadêmica, além de dicas de sites e materiais complementares que auxiliam nas diferentes etapas da pesquisa.

     

    3- Qual é o público-alvo do curso TCC com Emoção?

    Estudantes em término de graduação, com escrita inicial ou intermediária de TCC; e estudantes em fase inicial, ou seja, antes da qualificação de banca, de mestrado ou doutorado que possuam problemas com a escrita formal. Quem já passou da fase da qualificação, pode fazer uma consultoria personalizada, caso deseje.

     

    4- Para quem não é este curso?

    Para pessoas que tenham desconfiança em relação a trabalhos terapêuticos complementares, pois embora tenha a parte técnica da escrita, o curso todo é permeado pelo trabalho holístico. Pra mim, tudo está interligado. Porém, se a pessoa não se sente à vontade com estes temas, não é obrigada a fazer um curso que os abordam. Sei que no universo mental-acadêmico ainda há muita resistência e até mesmo preconceito com isso. E o que faço é uma espécie de junção entre as duas áreas: a totalmente mental-racional com a emocional-holística. 

     

    5- Como é a estrutura do curso TCC com Emoção?

    O curso está dividido em doze módulos, sendo um deles totalmente focado em técnicas terapêuticas com dicas de respiração consciente; técnica de ancoramento para os estudos, pois devemos olhar para esse momento como um ritual; meditação de conexão ou reconexão com a pesquisa; ho’oponopono para os estudos; diário terapêutico e envio da terapia reiki à distância. 

    Há duas aulas bem técnicas focadas na escrita acadêmica e na estrutura textual do parágrafo, com coerência e coesão. Outra aula específica que faz a pessoa refletir sobre onde ela se encontra e quais os passos que deve dar antes de iniciar a escrita, com dicas de sites e planejamento diário. Durante todo o tempo, as emoções são norteadoras, por isso, falo bastante sobre inteligência emocional para incentivar a pessoa a se olhar e se reconhecer enquanto sujeito de emoções e pensamentos que afetam tudo aquilo que faz.

    As últimas aulas focam no processo de revisão, pois a escrita opera num tripé: leitura – escrita – reescrita. Também dou dicas de sites para revisão textual, embora essas não substituam uma RT personalizada, mas cada caso é um caso. Há uma aula com dicas específicas para a apresentação oral para a banca, pois na maioria das vezes esquecemos que esta parte é muito importante no nosso processo de aprendizagem e desenvolvimento linguístico-formal. 

     

    6- Deixe um recado para quem está em dúvida se o curso irá lhe servir?

    Acredito que a própria dúvida já indique algo. Não creio em acasos, mas a pessoa pode verificar se o produto lhe serve. Como já disse, penso que o curso irá ajudar para além do processo de escrita acadêmica, pois não deixa de ser um momento de autoacolhimento e, principalmente, incentivo ao autoconhecimento através da inteligência emocional. Aguardo ansiosamente as opiniões das pessoas que fizerem o curso, para que eu possa me aprimorar cada vez mais nesta troca de conhecimentos e aprendizados. Gratidão!

     

     

  • A trilha desconhecida

    Não era uma trilha, mas foi forjada enquanto tal. Pelo caminho, as dificuldades só aumentavam despertando nas pessoas os mais diversos pensamentos e emoções.

    Cada pessoa cumpria seu papel, e sabiam que estavam todas na mesma situação-limite de vida, contando uns com os outros.

    As pedras que haviam no caminho, ao mesmo tempo em que nos guiavam nos davam medo, despertando nos recônditos de cada um as sombras, aquelas que ignoramos.

    A água, fonte de vida, escassa ao mesmo tempo em que podia nos afogar em emoções contraditórias.

    A respiração ofegante, mostrando que é preciso seguir em frente, mesmo sem saber onde chegaremos.

    O fogo interior clamando por vida após o fim daquela experiência, que ardia na alma e nos pés.

    Todos estes ingredientes serviram de aprendizado a partir de uma escolha feita por todos nós. Não existiu culpados, apenas cúmplices.

    Quando tudo parecia ficar ainda mais tenso, a fé tornou-se a guia e a resposta para nos conduzir em direção ao caminho.

    Este é um relato de experiência, mas bem que pode servir para a trilha da vida em expansão, na aventura eterna de ser demasiadamente humana aqui na Terra.

  • Abriram-se os portais

    Estou tateando um universo inteirinho dentro de mim! Não sabia que era possível fazer tantas viagens sem mesmo sair de casa. Casa, substantivo de nome próprio designando um lugar onde se mora. 

    Mas onde realmente é minha casa? Sou consciência infinita, não me caibo em mim durante muitas vezes ao longo dos dias! 

    Descobri que posso amar o meu corpo, sabendo que o escolhi como morada, ou melhor, como um lar todinho meu nesta vida. Descobri que é, sim, possível se amar! 

    Amar cada célula, cada molécula e cada órgão que habita em mim. Olho para dentro e me vejo nua, despida de meus invólucros e certezas absolutas; descubro, enfim, que elas absolutamente não me fazem falta, pois sou inteira, plena e complexa. 

    Às vezes, também sinto que sou uma completa maluca, mas ok! Isso faz parte do processo, e eu quero mais é sentir a expansão. 

    Estou em paz! Amor, alegria e compaixão – a tríade da cocriação consciente em mim, saúda a sua divindade.

    Carla Mello

    Texto inédito escrito em abril/2021.

  • Vamos acabá-la

    Lá no Sul do Brasil sofrer é um período de latência.

    Mas isso também se aplica à Coreia do Norte, ao Leste Europeu, ao Oeste da África e ao Sudeste Asiático.

    Parir um poema em plena madrugada está para o absurdo assim como a espera da vacina se aplica à bolsa de valores; exceto que o primeiro ato não passa de insônia isolada dentro da pandemia.

    A geografia acidentada das ondas eletromagnéticas ressoa no pulso que ainda pulsa propulsoramente em vã nostalgia sideral.

    Farpas e retalhos também compõem o Todo. Mesmo que você não queira, as polaridades garantem sua sanidade mental e o pêndulo do Universo está passando há séculos na vibração de correspondência que se queira ritmar sustentando, ao menos, que você saiba aquilo que não quer ser!

    Não pense que pensar é um fato passageiro e descontraído que de nada serve. Ao menos pra mim, essa brincadeira já ganhou outra dimensão revestida de trajetória planificada em desejo ardente!

    Assinado: Notas de gênero híbrido misturadas ao bel prazer da causa e efeito, ano de 2020, um risco arriscado de vida. Fica (em casa)! Vai ter bolo.

    Carla Mello

    Texto inédito escrito na pandemia, em 2020.