Outubro e as relações com o Outro

Eu e Alexandre pós-almoço de aniversário, 2022.

Celebrar a vida, creio eu, é um dos pontos em comum que existe em qualquer cultura. E ter a oportunidade de viver é um grande presente a todo ser. Comemorar mais uma primavera é algo que sempre me inspira e faz emanar amor por todos os meus poros, em todos os níveis.

Pra mim, comemorar o aniversário sempre foi sinônimo de coletividade, de juntar as pessoas que amo e degustar o prazer em todas as suas variáveis. É claro que, nem sempre dá pra reunir todo mundo, e, por muito tempo até, eu ficava bastante chateada quando algumas pessoas não compareciam ou enviavam suas felicitações – só que aprendi que as interpretações de mundo são sempre o “nosso túnel de realidade”, logo, há no mínimo dois túneis envolvidos neste assunto: o meu, que quer a pessoa por perto e valoriza a data; e o da outra pessoa, que talvez não veja isso como algo tão importante – e tá tudo certo, afinal de contas, “toda verdade é uma meia verdade”.

Por outro lado, sempre foi muito gostoso perceber o quanto várias pessoas, especialmente neste dia, me trazem suas melhores vibrações – e não necessariamente em presença física -, e tornam o meu dia uma potência gigantesca de amor fraterno!

Então, entra em ação a tal da gratidão, por ter a sorte de conhecer tanta gente maravilhosa e manter a reciprocidade do amor amigo enquanto chama flamejante. Amizades que, independentemente do tempo e do espaço, se fortalecem ainda mais em momentos assim. Amizades que me fazem lembrar o quanto a vida além do mundo virtual ainda é a principal forma de viver. Amizades que me ensinam “a beleza de ser uma eterna aprendiz”.

Acredito que intuitivamente eu sempre soube que o caminho da transformação é o Amor, em todas as suas manifestações. E é através das amizades, principalmente, que descobri que as diferenças são dádivas a serem agradecidas. Tenho tantas amizades de diferentes seres que, muitas vezes, me pergunto o quanto eu sou a normalzinha do rolê.

Além disso, a beleza entrelaçada nestes diversos modos de se relacionar me faz ver o quanto tudo vai se encaixando: é uma flor que chega para enfeitar a mesa, uns salgadinhos recebidos aleatoriamente no ônibus, uma videochamada com a família que me faz gargalhar de felicidade; e tudo isso vai pintando um quadro de risos e alegrias distribuidas ao longo de horas despretensiosas, onde podemos ser nós mesmos diante da cumplicidade de sermos amados e aceitos, desconstruída ou reconstruída enquanto uma nova mulher.

É só por isso, e por tudo isso, que gosto de dizer que amo celebrar meus aniversários, pois o amor está nas relações que tenho e que me constroem, e me tornam cada dia mais uma pessoa mais agradável de se conviver.

Gratidão, vida, pelos trinta e oito anos de busca do Amor! Creio que estou indo pelo caminho certo…

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