Uma árvore falou comigo hoje

Somos tão acostumados a viver no mundo racional, moldados por séculos de intelectualismo mental que esquecemos do nosso ser natureza; nos iludimos na separação e sufocamos o coração que, embora agonizante, ainda vibra na esperança.
Essa árvore que falou comigo, nem sei o seu nome, pois minha ignorância botânica me deixa envergonhada, só que ela não se importa com isso, o que ela quer é me dizer algo, e. pra isso, eu preciso ouvir com o sossego da espera, como ela traz ali onde se encontra há anos.
Ela me diz para que olhe e veja os seus galhos secos, ainda em maioria, em meio a flores amarelas sorridentes. Diz que a vida acontece nesse espaço entre o inverno morrendo para a primavera nascer. E que há um período em que tudo se confunde, e tá tudo bem, já que é da nossa natureza sermos misturas entre as polaridades e suas nuances.
Ela disse que isso tudo não é nenhuma novidade, mas como estamos ligados no modo automático, esquecemos dos aprendizados essenciais. E quando os reencontramos parece que estamos partilhando um segredo que, na verdade, tá falando o tempo todo com a gente. Contudo, para ouvir, quem para?

Ela disse que é até muito divertido ver o quanto vibramos ao reaprender os mistérios esquecidos, que essa nossa inocência é admirada por todos os reinos e em todos os lugares.

Ela me diz, ainda, que as flores estão mostrando a beleza do que virá, e os galhos secos estão ali para lembrar que é preciso ter uma estrutura, pois, mesmo que não seja bela, está ancorando o doce amarelo que florirá lentamente. Diz que o inverno foi tão necessário quanto a primavera será, assim, deve ser honrado.

Ela quer me dizer muito mais coisas, mas estou um pouco agitada, já que a caminhada matinal precisa ser finalizada.
Agradeço os seus conselhos e sigo adiante com o sol escaldante. E como sigo feliz, nem me importo com o que o povo diz sobre uma mulher que para diante de uma árvore e fica extasiada por alguns minutos de um dia útil em horário comercial.

Eu ganhei o meu dia, e percebo que nossos irmãos indígenas é que sabem das coisas! Nosso futuro é ancestral e está embalado num amor universal que junta os reinos numa eterna ciranda de alegrias fulgurantes e simples, como uma árvore de flores amarelas a falar comigo no meio do caminho: ipê.

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