Categoria: Literatura

  • A língua pode ser sua aliada no jogo das emoções*

    Estudar a língua portuguesa é obrigatório nas escolas brasileiras. Contudo, por ser a língua materna dos falantes, há um grande abismo entre a língua falada no dia a dia e a língua estudada nas salas de aulas do país. Além disso, um dos temas mais urgentes que também se relacionam com essa disciplina, embora não seja exclusividade dela, tem a ver com as emoções suscitadas nas pessoas quando vão aprender o português mais formal. E como se não bastasse, temos ainda a ansiedade e a depressão como dois dos principais problemas enfrentados pelos estudantes brasileiros no pós-pandemia.
    Em relação ao ensino de LP ― Língua Portuguesa ― nas escolas, desde antes de me tornar professora, eu já ouvia falar sobre as deficiências e os desafios da área. O último SAEB ― Sistema de Avaliação do Ensino Básico ― traz alguns dados muito interessantes para podermos dimensionar essas referidas deficiências e desafios. Um deles é sobre o INAF ― Indicador de Alfabetismo Funcional, em que destacou-se que 71% da população brasileira, entre 15 a 64 anos, é considerada funcionalmente alfabetizada, entretanto, dentro desse indicador há variações, e o nível considerado proficiente, ou mais alto, é de apenas 12%, “o que significa que são capazes de elaborar textos de diferentes tipos e de interpretar tabelas e gráficos” (SAEB, 2021), número muito aquém do esperado.

    Quanto ao nível de aprendizagem adequado em LP, ou seja, aquela aprendizagem esperada no referido ano de estudo, em todos os estados brasileiros há bastante defasagem, sendo que o estado mais próximo de 50% de adequação é o Ceará, com 48% (SAEB, 2021). Ou seja, os déficits certamente se refletem na escrita, na leitura e interpretação textual não só nas aulas de português, mas em todas as disciplinas e fora do contexto escolar.

    Ainda sobre esse índice, a porcentagem de estudantes de escolas públicas difere bastante em relação aos de escolas privadas: no 9o ano do ensino fundamental, a porcentagem de adequação de LP em escolas privadas é de 70,4% contra 35,9% das escolas públicas; e no terceiro ano do ensino médio, fica em 74,6% nas primeiras e 31% nessas últimas.

    Quanto aos dados sobre ansiedade e depressão, tivemos o agravante da pandemia de covid-19, que fez eclodir os números alarmantes entre crianças e jovens estudantes no país. Apenas no estado de São Paulo, um mapeamento feito pela Secretaria Estadual de Educação mostrou que 69% dos estudantes possuem sintomas de uma das duas doenças citadas, no ano de 2022 (publicado no G1). Além disso, há aquelas emoções relacionadas ao medo, desinteresse e vergonha para aprender em sala de aula.

    Nesse sentido, vejo que o ensino de LP possui um papel bastante opressor que se perpetua e nos desconectam dos estudantes de qualquer idade, renda, raça/cor ou localidade. Foi pensando na junção dessas problemáticas que resolvi disponibilizar o curso básico Português com Emoção de forma gratuita. É um curso autogerenciado pela pessoa interessada em reforçar seus conhecimentos e aprendizados de língua portuguesa, além de poder acessar transversalmente o tema da educação emocional, algo tão necessário – e ainda longe da realidade nas escolas brasileiras, especialmente as públicas.

    Obviamente, esse curso não tem a audaciosa pretensão de resolver os problemas emocionais das pessoas, mas sim ajudar a garantir que é possível ressignificar a sua relação com a língua portuguesa, ao mesmo tempo em que busca rememorar temas importantes da área e se reconhecer como sujeito responsável pelo seu processo formativo, pois “estudar é para a vida toda”, seja dentro ou fora da escola formal. Assim sendo, desejo a todas as pessoas dispostas a entrar nessa aventura, uma ótima jornada.

    Referências:
    GOVERNO FEDERAL. Desempenho em língua portuguesa é desafio para os próximos anos. Disponível em: https://www.gov.br/inep/pt-br/assuntos/noticias/saeb/desempenho-em-lingua-portuguesa-e-desafio-para-proximos-anos. Acesso em 24 jul. 2024.

    ANUÁRIO BRASILEIRO DA EDUCAÇÃO BÁSICA. 10a ed. Disponível em: https://www.moderna.com.br/anuario-educacao-basica/2021/index.html. Acesso em 24 jul. 2024.

    CARRANÇA, Thaís. Crise de saúde mental nas escolas: ‘Alunos estão deprimidos, ansiosos, em luto e faltam psicólogos’. BBC Neus. Disponível em: https://g1.globo.com/educacao/noticia/2022/08/25/crise-de-saude-mental-nas-escolas-alunos-estao-deprimidos-ansiosos-em-luto-e-faltam-psicologos.ghtml. Acesso em 24 jul. 2024.

    *Texto elaborado e disponibilizado no curso Português com Emoção.

  • Língua-manifesto

    A língua portuguesa abrasileirada é vida abundante que se multiplicou por este país continental.

    E, como vida precisa de espaço, faz-se crias em cada canto. É oxente misturado com bah, uai que desencanta num vish pra todo mundo se manifestar com emoção!

    A língua não cabe nos dicionários, tampouco os estudiosos conseguem depreendê-la.

    Ela é plural, protagonista de vidas invisíveis que insistem em sobreviver, mesmo sem saber falar a língua do patrão. É a voz que grita em nossos pensamentos buscando compreensão e sentido de viver.

    Deixem a língua em paz! Ela quer simplesmente ser vida, ser vista e servir para manifestar palavras de ordem na ordem do dia do sistema insensível que a impôs neste mundo-periferia da galáxia.

    Que a língua saia debaixo das saias longas e seculares das senhoras normas cultas e dos políticos engravatados ditadores de leis para correr livre pela boca do povo, na boca desdentada ou dengosa de todo ser que diz sim pro Amor.

    Que a língua do Amor se manifeste livremente transferindo pensamentos possíveis para palavras prováveis de pureza e prazer num simples bom dia ao ver o outro.

    Que a língua se torne o seu sucesso constante, simplesmente por ser uma parte da sua identidade múltipla.

    Que a língua seja dobrada toda vez que dela ousar sair um ai de violação das leis cósmicas de Amor ao próximo.

    Deixem a língua se tornar nossa para que se possa usar palavras encantadas para cantar a canção da liberdade plurilinguística.

    Pessoas queridas, entreguem suas línguas ao bel prazer das pequenezas cotidianas para emergirem cada vez mais Manoéis de Barros, DKGs, Drummonds de Andrades, Anas Cristinas Césares, Elisas Lucindas e Tonons, Adélias Prados, Déboras Gonçalves, Cristianes Estevãos, Hildas Hilsts, Nicolas Gonzagas, Conceições Evaristos, Renans Inquéritos, Negros Rudhys, Sérgios Vaz e mais um tanto de gente que não cabe aqui ou sequer conheço, mais sei que são ótimas lapidadoras de palavras-língua em formatos poéticos e poêmicos para registrar a voz da língua-Amor.

    Que a língua musa do museu da língua portuguesa tome as ruas, as casas, escolas, empresas, universidades e onde mais houver alguém querendo se expressar na eterna amorosidade de ser.

    Viva a língua portuguesa abrasileirada, a sua, a minha e a nossa!

    Conheça meu curso gratuito Português com Emoção.

  • Uma árvore falou comigo hoje

    Somos tão acostumados a viver no mundo racional, moldados por séculos de intelectualismo mental que esquecemos do nosso ser natureza; nos iludimos na separação e sufocamos o coração que, embora agonizante, ainda vibra na esperança.
    Essa árvore que falou comigo, nem sei o seu nome, pois minha ignorância botânica me deixa envergonhada, só que ela não se importa com isso, o que ela quer é me dizer algo, e. pra isso, eu preciso ouvir com o sossego da espera, como ela traz ali onde se encontra há anos.
    Ela me diz para que olhe e veja os seus galhos secos, ainda em maioria, em meio a flores amarelas sorridentes. Diz que a vida acontece nesse espaço entre o inverno morrendo para a primavera nascer. E que há um período em que tudo se confunde, e tá tudo bem, já que é da nossa natureza sermos misturas entre as polaridades e suas nuances.
    Ela disse que isso tudo não é nenhuma novidade, mas como estamos ligados no modo automático, esquecemos dos aprendizados essenciais. E quando os reencontramos parece que estamos partilhando um segredo que, na verdade, tá falando o tempo todo com a gente. Contudo, para ouvir, quem para?

    Ela disse que é até muito divertido ver o quanto vibramos ao reaprender os mistérios esquecidos, que essa nossa inocência é admirada por todos os reinos e em todos os lugares.

    Ela me diz, ainda, que as flores estão mostrando a beleza do que virá, e os galhos secos estão ali para lembrar que é preciso ter uma estrutura, pois, mesmo que não seja bela, está ancorando o doce amarelo que florirá lentamente. Diz que o inverno foi tão necessário quanto a primavera será, assim, deve ser honrado.

    Ela quer me dizer muito mais coisas, mas estou um pouco agitada, já que a caminhada matinal precisa ser finalizada.
    Agradeço os seus conselhos e sigo adiante com o sol escaldante. E como sigo feliz, nem me importo com o que o povo diz sobre uma mulher que para diante de uma árvore e fica extasiada por alguns minutos de um dia útil em horário comercial.

    Eu ganhei o meu dia, e percebo que nossos irmãos indígenas é que sabem das coisas! Nosso futuro é ancestral e está embalado num amor universal que junta os reinos numa eterna ciranda de alegrias fulgurantes e simples, como uma árvore de flores amarelas a falar comigo no meio do caminho: ipê.

  • Desaguando as emoções através de reiki e poesia

    “Reiki: mágoa é má água dentro do corpo”

    (Letrux, 2021)

    Muitas artistas possuem o dom de performatizar as emoções humanas em suas infinitas nuances de um modo singular. Seja pela música, pela poesia ou pela estética audiovisual, entramos rapidamente no modo rapport com pessoas como Letrux, porque nos identificamos com a eterna efemeridade do desejo retratado em sua arte.

    Desde que vi seu primeiro show num festival que frequentei por 11 anos, o Psicodália, fiquei encantada com sua estética vitalizante. Era uma mulher poderosa falando sobre astrologia, reiki e meditação, além dos já óbvios meios de mitigação humana como lisérgicos, álcool e as paixões incoerentes que nos levam ao abismo.

    Ganhei de presente de uma amiga, igualmente artista, seu livro intitulado “Tudo que já nadei” (LETRUX, 2021), que é um convite a mergulhar nas emoções que acompanham a ressaca, as marolinhas e o quebra-mar, seja do mar real ou do mar da vida (qual é mais verdadeiro?), essa onda que nos leva e traz para dentro de nós mesmas em busca da fusão com a Onda Primordial Cósmica do Universo. 

    A ressaca do mar pode causar estragos gigantescos com suas ondas fortes; já uma ressaca de álcool exige muita água para a hidratação do corpo. As marolinhas do mar, pequenas ondas vistas como insignificantes mas que, juntas, podem se transformar em tsunamis que, por sua vez, exigirão de nós quebra-mares fortes o suficiente para resistir ao ‘tranco’ para lidar com tudo isso ao olharmos para elas, as ondas de emoções.

    No livro, a parte da ressaca é composta por textos em prosa, quase crônicas do dia a dia de uma artista foragida do mar em meio a uma pandemia, precisando materializar em palavras sua fuga pânica de desejo pela água salgada. O quebra-mar é composto de odes ondulantes que relembram as sensações marítimas e todo o romance que ela sente estando na mesma água salgada, sua salva-vidas. Já as marolinhas são pequenos versos que, de tão profundos, deixam as páginas em branco e uma interrogação por dias em nossas cabeças: será que somos como como peixes dentro do mar? Serei aquele peixe que fala “eu não acredito em água!”; ou aquele outro, que diz “eu só ouvi falar, mas nem sei se essa tal de água existe”?

    Seja em verso ou em prosa, são tantas as palavras combinadas ao bel prazer de Letrux que fico até com ciúmes dessa relação tão linda e potente que ela tem com o mar e com a água em suas diferentes formas transmutadas em poesia! Fico sem saber quais escolher para mostrar a vocês, por isso recomendo que leiam e escolham as suas favoritas. 

    De minha parte, ainda estou aqui digerindo e sentindo o livro, que me acompanhou nas viagens de ônibus em 2021 quando precisei ir dar aulas, ou fazer de conta que, em meio a uma pandemia. Retornei a ele agora, já na enésima onda de covid-19 que, porventura, chegou em nossa casa nos últimos dias. Ainda bem que já com a terceira dose, ainda bem que com reiki diário, ainda bem que vibrando bem alto pra garantir uma imunidade forte. Ainda bem que “estou cada vez mais consciente onde dá e onde não dá pé” (p. 86).

    Mas voltemos à composição do livro, que é pura água – líquida, salgada, gasosa, solidificada no corpo, que precisa dela para não se afogar em lama tóxica de sentimentos mal-resolvidos. Entre os quatro  principais elementos estudados desde a Antiguidade, a água é o elemento associado ao nosso corpo emocional. Como não existem acasos, o planeta Terra possui cerca de 70% de água, e o corpo humano adulto possui, ora, vejam só, a mesma porcentagem de H2O. “O que está em cima é como o que está embaixo”, já disse O Caibalion. Nessa lógica, é importante observar o quanto nossas emoções são importantes de serem vistas e acolhidas, pois “se todo dia tu chora aí ainda tem história ou tá na hora de ir embora” (p. 143). 

    Num planeta onde os homens foram ensinados a não chorar porque seria sinal de fraqueza, as mulheres foram compelidas a acreditarem que, para se tornarem fortes, também deveriam esconder suas emoções, principalmente de si mesmas. E o resultado disso é que temos uma sociedade cada vez mais doente da alma, pois as emoções e os pensamentos – aqui já é outro departamento, mas não deixa de estar intrincado naquele – possuem um papel primordial na nossa saúde integral, mas principalmente no nosso bem-estar, que é estar bem, de fato.

    Por muitos anos, sem saber, usei a poesia como um modo de recalcar minhas emoções. Que bela inocente eu fui, pois a poesia é pura emoção, sempre! Mesmo aquelas que falam “só” sobre coisas aparentemente materiais. Quando entrei para o mundo das “coisas místicas”, como dizem por aí, foi o reiki (rei – energia cósmica universal + ki – energia vital individual) que me fez, e faz todos dia, desaguar em emoções as mais diversas. Confesso que sigo enfrentando minhas ressacas, marolinhas e fazendo-me quebra-mar deste mar da vida, e que fico muito feliz quando leio textos como os de Letrux, que me fazem navegar neste oceano de linguagem que, ao fim e ao cabo, é tudo o que há de mais real na relatividade cósmica vigente.

    Letrux me lembra muito o nosso planeta, pois sendo do elemento Terra em seus três planetas principais, pelo viés da astrologia, precisa cada vez mais se derramar em água para ser vida (bem servida), e “que por isso mesmo precisa mergulhar, mergulhar muito, repete & reforça” (p. 101). E que bom que ela nos traz essas confissões em livro-vida, que é quase uma água-viva de Clarice! 

    Estamos todas no mesmo barco, digo, precisamos aprender sempre e cada dia mais a mergulhar, mesmo eu, aquela que sequer sabe nadar, já que algumas de nós não estão mais no barco, as mais ousadas. Por tudo isso, digo que bom que eu tenho o reiki e a poesia à minha disposição para me ajudar na natação cotidiana das emoções ordinárias que me movem e me comovem, principalmente quando penso no mar de gente que já passou por aqui e se foi, seja por vírus, egoísmo ou fúria humana. 

    Então, sigamos o exemplo de Letrux, que nos diz: “eu fico bêbada no mar e só vou embora quando ele fecha” (p. 110). Vamos nos embriagar do mar da vida, com todas as suas ressacas, marolas e tsunamis emocionais ao nosso dispor enquanto houver um pingo de vontade de viver. E não esqueçamos dos coletes salva-vidas, que podem ser poesia, reiki ou o que quer que emane Amor!



    Referência:
    LETRUX: Tudo o que já nadei: ressaca, quebra-mar e marolinha. São Paulo: Planeta, 2021.

  • A trilha desconhecida

    Não era uma trilha, mas foi forjada enquanto tal. Pelo caminho, as dificuldades só aumentavam despertando nas pessoas os mais diversos pensamentos e emoções.

    Cada pessoa cumpria seu papel, e sabiam que estavam todas na mesma situação-limite de vida, contando uns com os outros.

    As pedras que haviam no caminho, ao mesmo tempo em que nos guiavam nos davam medo, despertando nos recônditos de cada um as sombras, aquelas que ignoramos.

    A água, fonte de vida, escassa ao mesmo tempo em que podia nos afogar em emoções contraditórias.

    A respiração ofegante, mostrando que é preciso seguir em frente, mesmo sem saber onde chegaremos.

    O fogo interior clamando por vida após o fim daquela experiência, que ardia na alma e nos pés.

    Todos estes ingredientes serviram de aprendizado a partir de uma escolha feita por todos nós. Não existiu culpados, apenas cúmplices.

    Quando tudo parecia ficar ainda mais tenso, a fé tornou-se a guia e a resposta para nos conduzir em direção ao caminho.

    Este é um relato de experiência, mas bem que pode servir para a trilha da vida em expansão, na aventura eterna de ser demasiadamente humana aqui na Terra.

  • Abriram-se os portais

    Estou tateando um universo inteirinho dentro de mim! Não sabia que era possível fazer tantas viagens sem mesmo sair de casa. Casa, substantivo de nome próprio designando um lugar onde se mora. 

    Mas onde realmente é minha casa? Sou consciência infinita, não me caibo em mim durante muitas vezes ao longo dos dias! 

    Descobri que posso amar o meu corpo, sabendo que o escolhi como morada, ou melhor, como um lar todinho meu nesta vida. Descobri que é, sim, possível se amar! 

    Amar cada célula, cada molécula e cada órgão que habita em mim. Olho para dentro e me vejo nua, despida de meus invólucros e certezas absolutas; descubro, enfim, que elas absolutamente não me fazem falta, pois sou inteira, plena e complexa. 

    Às vezes, também sinto que sou uma completa maluca, mas ok! Isso faz parte do processo, e eu quero mais é sentir a expansão. 

    Estou em paz! Amor, alegria e compaixão – a tríade da cocriação consciente em mim, saúda a sua divindade.

    Carla Mello

    Texto inédito escrito em abril/2021.

  • Vamos acabá-la

    Lá no Sul do Brasil sofrer é um período de latência.

    Mas isso também se aplica à Coreia do Norte, ao Leste Europeu, ao Oeste da África e ao Sudeste Asiático.

    Parir um poema em plena madrugada está para o absurdo assim como a espera da vacina se aplica à bolsa de valores; exceto que o primeiro ato não passa de insônia isolada dentro da pandemia.

    A geografia acidentada das ondas eletromagnéticas ressoa no pulso que ainda pulsa propulsoramente em vã nostalgia sideral.

    Farpas e retalhos também compõem o Todo. Mesmo que você não queira, as polaridades garantem sua sanidade mental e o pêndulo do Universo está passando há séculos na vibração de correspondência que se queira ritmar sustentando, ao menos, que você saiba aquilo que não quer ser!

    Não pense que pensar é um fato passageiro e descontraído que de nada serve. Ao menos pra mim, essa brincadeira já ganhou outra dimensão revestida de trajetória planificada em desejo ardente!

    Assinado: Notas de gênero híbrido misturadas ao bel prazer da causa e efeito, ano de 2020, um risco arriscado de vida. Fica (em casa)! Vai ter bolo.

    Carla Mello

    Texto inédito escrito na pandemia, em 2020.