A língua portuguesa abrasileirada é vida abundante que se multiplicou por este país continental.
E, como vida precisa de espaço, faz-se crias em cada canto. É oxente misturado com bah, uai que desencanta num vish pra todo mundo se manifestar com emoção!
A língua não cabe nos dicionários, tampouco os estudiosos conseguem depreendê-la.
Ela é plural, protagonista de vidas invisíveis que insistem em sobreviver, mesmo sem saber falar a língua do patrão. É a voz que grita em nossos pensamentos buscando compreensão e sentido de viver.
Deixem a língua em paz! Ela quer simplesmente ser vida, ser vista e servir para manifestar palavras de ordem na ordem do dia do sistema insensível que a impôs neste mundo-periferia da galáxia.
Que a língua saia debaixo das saias longas e seculares das senhoras normas cultas e dos políticos engravatados ditadores de leis para correr livre pela boca do povo, na boca desdentada ou dengosa de todo ser que diz sim pro Amor.
Que a língua do Amor se manifeste livremente transferindo pensamentos possíveis para palavras prováveis de pureza e prazer num simples bom dia ao ver o outro.
Que a língua se torne o seu sucesso constante, simplesmente por ser uma parte da sua identidade múltipla.
Que a língua seja dobrada toda vez que dela ousar sair um ai de violação das leis cósmicas de Amor ao próximo.
Deixem a língua se tornar nossa para que se possa usar palavras encantadas para cantar a canção da liberdade plurilinguística.
Pessoas queridas, entreguem suas línguas ao bel prazer das pequenezas cotidianas para emergirem cada vez mais Manoéis de Barros, DKGs, Drummonds de Andrades, Anas Cristinas Césares, Elisas Lucindas e Tonons, Adélias Prados, Déboras Gonçalves, Cristianes Estevãos, Hildas Hilsts, Nicolas Gonzagas, Conceições Evaristos, Renans Inquéritos, Negros Rudhys, Sérgios Vaz e mais um tanto de gente que não cabe aqui ou sequer conheço, mais sei que são ótimas lapidadoras de palavras-língua em formatos poéticos e poêmicos para registrar a voz da língua-Amor.
Que a língua musa do museu da língua portuguesa tome as ruas, as casas, escolas, empresas, universidades e onde mais houver alguém querendo se expressar na eterna amorosidade de ser.
Viva a língua portuguesa abrasileirada, a sua, a minha e a nossa!
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