“Tava com um cara que carimba postais
E por descuido abriu uma carta que voltou
Tomou um susto que lhe abriu a boca
Esse recado veio pra mim, não pro senhor”
(Marisa Monte, Nando Reis, Carlinhos Brown)
Quem aí conhece esta música da epígrafe, eternizada pela voz da maravilhosa Cássia Eller? Eu descobri este ano que todo dia 25 de janeiro é comemorado o Dia do Carteiro, pois em 1663 foi criado o Correio-mor no Brasil. Também soube que esses profissionais entregam mais de um milhão de encomendas diariamente no país (TV Brasil, 2021), entre correspondências pessoais/particulares e comerciais.
O papel dos Correios, e consequentemente dos seus profissionais, é de suma importância para nós, e isso ficou mais uma vez demonstrado durante a pandemia, pois no período em que estávamos totalmente isolados, muitas vezes era a espera de uma encomenda (ou de comida) que nossas horas de esperança se sintonizavam, não é mesmo?
Meu irmão trabalhou como carteiro temporário e me contava histórias sobre as relações que as pessoas mantinham com estes profissionais. E sempre que há relações, há muitas emoções envolvidas! Lembro particularmente da história de uma criança que ele dizia que ficava sempre esperando o carteiro passar, e lhe perguntava se tinha uma carta pra ela. Não sei exatamente como ele soube, mas a menina aguardava a carta do pai, que estava privado de liberdade cumprindo pena em algum lugar.
Muitas pessoas, atualmente, ainda não receberam uma correspondência pessoal via Correios, apenas encomendas de compras via internet ou mesmo as nem sempre bem-vindas cobranças comerciais. Contudo, este outro lado das relações de comunicação via escrita tem, sim, o seu valor.
Das gerações passadas, quem nunca esperou o carteiro por dias para receber notícias de um familiar que mora longe, pois telefone era artigo de luxo. E quem aí já teve um namoro via cartas? O que é isso, se comparado aos atuais aplicativos de encontro? E os cartões-postais, os principais souvenires dos viajantes, que transmitiam a certeza de que você foi especialmente lembrado por alguém? São relações afetivas de espaço-tempo de uma época em que a vida passava mais devagar diante de nossos olhos, ao que parece.
Eu mesma tive algumas experiências marcantes com a comunicação via Correios, e esperava o carteiro passar porque estava sempre à espera de alguma correspondência, fosse particular ou mesmo de estudos, pois lembro que escrevi ofícios (correspondências formais) a alguns reitores de universidades contando um pouco sobre minha trajetória de estudante em escola pública e o quanto, na época, eu desejava fazer vestibular para medicina. Tive respostas da UFSC, da UEL e da UFPR. Logo em seguida, em abril de 2004, me mudei para Florianópolis e fiz o cursinho pré-vestibular comunitário e gratuito da Federal de Santa Catarina.
Hoje eu escrevo estas linhas para agradecer a todos os profissionais carteiros e carteiras deste Brasilzão, pois são eles que chegam em muitos lugares os quais não fazemos a mínima ideia que existam! É através deles que muitas notícias felizes se espalham, e é por essas pessoas que podemos receber ou enviar afeto em formatos diversos.
E se você quiser propagar a onda de emoções positivas através dos Correios, conheça o meu Projeto Poético Poste um cartão-postal e envie amor às pessoas com as quais se importa, pois o que é importante deve ser vivido.
Carla Mello
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